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Queda do dólar: entenda o motivo da baixa em outubro de 2026

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Tela com cotação do dólar em queda enquanto investidor acompanha o mercado de câmbio
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7 min de leitura

Por: Confidence Câmbio • 7/10/2026

A queda do dólar chamou a atenção no início de outubro de 2026. Depois de começar o mês acima de R$ 5,20, a moeda norte-americana recuou para perto e depois abaixo de R$ 5, acompanhando uma forte valorização do real.

O movimento ganhou força principalmente após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras. Na segunda-feira, 5 de outubro, o dólar à vista fechou em R$ 5,0022, com queda de 4,12%, a maior baixa diária em mais de oito anos. No dia seguinte, a moeda continuou operando abaixo de R$ 5.

Mas por que o dólar caiu tanto em tão pouco tempo? E isso significa que a moeda continuará mais barata nas próximas semanas?

A resposta envolve uma combinação de expectativas do mercado, cenário político e econômico brasileiro e fatores internacionais. Entenda os principais pontos.

O que aconteceu com o dólar no início de outubro?

O dólar começou outubro de 2026 próximo de R$ 5,23. Depois de oscilações menores nos primeiros pregões, a moeda teve uma queda muito mais intensa em 5 de outubro, quando o resultado do primeiro turno das eleições alterou a percepção dos investidores sobre o cenário brasileiro.

Naquele pregão, o dólar caiu 4,12% e terminou o dia em R$ 5,0022. No início da sessão seguinte, chegou a ser negociado perto de R$ 4,96.

O Banco Central também registrou, para 6 de outubro, uma PTAX de venda de R$ 4,9698. É importante lembrar, porém, que a PTAX e a cotação comercial são referências diferentes das taxas encontradas pelo consumidor no câmbio turismo.

Em outras palavras, a queda foi expressiva, mas não significa necessariamente que o dólar para comprar em uma casa de câmbio tenha caído exatamente na mesma proporção.

Por que o dólar caiu?

1. O resultado do primeiro turno mudou as expectativas do mercado

O principal fator por trás da queda recente foi a reação dos investidores ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais.

O senador Flávio Bolsonaro terminou essa etapa à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16%. O resultado surpreendeu parte do mercado e alterou as expectativas para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

A leitura predominante entre investidores foi de que uma eventual mudança de governo poderia trazer uma agenda econômica considerada mais favorável ao controle das contas públicas e às reformas.

Esse movimento reduziu o chamado prêmio de risco dos ativos brasileiros. Na prática, quando investidores percebem menor risco ou maior potencial de retorno no país, pode haver maior interesse por ativos denominados em reais.

Com mais demanda por ativos brasileiros, o real tende a se valorizar. Consequentemente, o dólar pode cair frente à moeda brasileira.

2. A queda do dólar veio acompanhada de uma forte alta da Bolsa

Outro sinal importante apareceu no mercado de ações.

No dia 5 de outubro, o Ibovespa subiu 7,7% e ultrapassou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos. Ao mesmo tempo, os juros futuros recuaram de maneira significativa.

Essa combinação ajuda a entender o movimento: não foi apenas uma queda isolada do dólar. Houve uma mudança mais ampla na percepção dos investidores em relação aos ativos brasileiros.

O mercado passou a trabalhar com expectativas mais positivas para o ambiente econômico doméstico, especialmente em relação à política fiscal e à possibilidade de reformas.

Ainda assim, é importante destacar que expectativa de mercado não é garantia de resultado. O cenário eleitoral continua em aberto e novas informações podem provocar movimentos de alta ou de baixa no câmbio.

3. O cenário internacional também influenciou

Embora o fator doméstico tenha sido especialmente importante para a queda recente do dólar contra o real, o ambiente internacional também teve participação.

No exterior, o dólar perdeu força frente a diversas moedas nesta terça-feira, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos recuaram em relação às máximas recentes. Além disso, dados mais fracos do mercado de trabalho americano reduziram, naquele momento, as expectativas de uma nova alta de juros pelo Federal Reserve em outubro.

Esse tipo de movimento pode favorecer moedas e ativos de mercados emergentes, porque altera a atratividade relativa dos investimentos nos Estados Unidos.

No entanto, o cenário externo continua sujeito a mudanças. Inflação, juros americanos, petróleo, conflitos internacionais e dados econômicos podem voltar a aumentar a procura pelo dólar.

4. A percepção sobre o risco fiscal brasileiro ganhou importância

O mercado de câmbio não reage apenas aos acontecimentos do dia. Ele também tenta antecipar como as decisões econômicas futuras podem afetar o país.

Por isso, questões como controle das despesas públicas, trajetória da dívida, inflação, juros e capacidade de aprovação de medidas econômicas entram na formação das expectativas.

Após o primeiro turno, investidores passaram a enxergar maior possibilidade de uma condução fiscal considerada mais rigorosa em um eventual novo governo. Essa percepção ajudou a reduzir os juros futuros e contribuiu para a valorização do real.

Vale reforçar, entretanto, que ainda não é possível afirmar que essa percepção será mantida até o fim do processo eleitoral.

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A queda do dólar vai continuar?

Não necessariamente.

Uma das características do mercado de câmbio é justamente a capacidade de reagir rapidamente a novas informações. Depois de uma queda tão forte, o dólar pode continuar recuando, permanecer próximo dos níveis atuais ou voltar a subir.

O segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, é um dos principais eventos que podem influenciar as expectativas nas próximas semanas.

Além disso, investidores continuarão acompanhando fatores como:

  • inflação brasileira e americana;
  • decisões de política monetária;
  • diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos;
  • situação fiscal brasileira;
  • fluxo de capital estrangeiro;
  • preços de commodities;
  • cenário político;
  • indicadores econômicos dos Estados Unidos;
  • percepção de risco nos mercados internacionais.

Por isso, é mais seguro interpretar a queda atual como um movimento de mercado associado às expectativas do momento, e não como uma garantia de que o dólar permanecerá abaixo de R$ 5.

O que a queda do dólar significa para quem vai viajar?

Para quem pretende fazer uma viagem internacional, uma queda do dólar pode ser positiva porque reduz, em tese, o custo em reais de despesas que serão pagas em moeda americana.

Imagine, por exemplo, uma viagem que tenha US$ 1.000 de orçamento para alimentação, transporte, compras e passeios.

Se o dólar estivesse a R$ 5,20, esse valor corresponderia a aproximadamente R$ 5.200, antes de considerar impostos, tarifas e diferenças entre as taxas de câmbio.

Com o dólar a R$ 5,00, os mesmos US$ 1.000 equivaleriam a R$ 5.000.

Diferença: R$ 200.

Esse exemplo é apenas uma comparação matemática entre cotações e não representa necessariamente o valor final pago pelo viajante, já que o câmbio turismo possui custos e condições próprias.

Ainda assim, ele mostra por que movimentos da moeda podem fazer diferença no planejamento financeiro de uma viagem.

Vale a pena comprar dólar agora?

Não existe uma resposta única para todos os viajantes.

Quem já tem uma viagem marcada precisa considerar principalmente quando precisará da moeda, quanto pretende gastar e qual é sua tolerância à oscilação do câmbio.

Tentar acertar exatamente o menor preço do dólar é difícil até mesmo para quem acompanha o mercado profissionalmente.

Por isso, para uma viagem futura, uma alternativa é acompanhar a cotação e avaliar a possibilidade de fazer as compras de moeda de forma planejada, em vez de deixar toda a aquisição para poucos dias antes do embarque.

Além disso, é importante observar não apenas a cotação anunciada, mas também IOF, spread, tarifas e a modalidade de câmbio escolhida.

Dólar comercial e dólar turismo são a mesma coisa?

Não.

Essa é uma dúvida importante para quem acompanha as notícias sobre a queda do dólar.

O dólar comercial é utilizado principalmente em operações financeiras e comerciais entre empresas e instituições. Já o dólar turismo é a referência para operações relacionadas a pessoas físicas, como a compra de moeda estrangeira em espécie para uma viagem.

Por isso, uma notícia dizendo que o dólar comercial caiu para determinado valor não significa que o viajante encontrará exatamente essa mesma cotação ao comprar dólares.

O valor final depende da modalidade da operação e dos custos envolvidos.

Como o viajante pode aproveitar um cenário de dólar mais baixo?

Se você já está planejando uma viagem internacional, a queda do dólar pode ser uma oportunidade para revisar o orçamento.

Antes de comprar, vale:

  1. Definir quanto você realmente precisará em moeda estrangeira.
  2. Separar os gastos que serão pagos antecipadamente daqueles que ocorrerão durante a viagem.
  3. Acompanhar a cotação ao longo do planejamento.
  4. Comparar as condições da operação de câmbio, e não apenas o número exibido na cotação.
  5. Evitar deixar toda a compra para a última hora.
  6. Considerar diferentes formas de levar dinheiro durante a viagem, de acordo com seu perfil e destino.

Dessa forma, o objetivo deixa de ser simplesmente tentar descobrir qual será a menor cotação e passa a ser reduzir o risco de concentrar toda a compra em um único momento.

O que observar no dólar nas próximas semanas?

O câmbio deve continuar sensível às notícias relacionadas às eleições brasileiras. Afinal, o segundo turno ainda está por vir e novas pesquisas, declarações dos candidatos, alianças e propostas econômicas podem alterar a percepção dos investidores.

Além disso, o ambiente internacional continua importante. Mudanças nas expectativas para os juros americanos, inflação, petróleo e percepção de risco global podem provocar movimentos mesmo quando não há nenhuma notícia relevante no Brasil.

Por isso, quem acompanha o dólar para viajar ou comprar moeda estrangeira deve evitar olhar apenas para a cotação de um único dia.

A melhor referência é observar o cenário como um conjunto e tomar decisões de câmbio de acordo com o prazo e as necessidades da viagem.

Queda do dólar é boa para quem vai viajar?

Em geral, sim.

Quando o real se valoriza frente ao dólar, o viajante brasileiro pode precisar de menos reais para comprar a mesma quantidade de dólares. Isso pode ajudar a reduzir o orçamento de despesas realizadas na moeda americana.

Por outro lado, a economia de fato dependerá da cotação disponível no momento da compra, dos custos da operação e de quanto da viagem será pago em dólar.

Além disso, nem todos os destinos utilizam o dólar como moeda local. Em viagens para a Europa, por exemplo, a cotação relevante para muitos gastos será a do euro.

O que a queda do dólar mostra sobre o mercado?

O movimento do início de outubro mostra como o câmbio pode reagir rapidamente às expectativas.

Em apenas um pregão, o dólar caiu mais de 4%, enquanto a Bolsa brasileira registrou uma alta de 7,7%. Isso demonstra que o mercado não reage apenas aos dados econômicos já conhecidos: ele também precifica cenários futuros.

Por isso, a queda observada em outubro não deve ser interpretada simplesmente como uma mudança definitiva na trajetória do dólar.

O cenário ainda pode mudar e, para quem precisa comprar moeda estrangeira, planejamento continua sendo mais importante do que tentar adivinhar o próximo movimento do mercado.

Conclusão

A queda do dólar no início de outubro de 2026 foi influenciada principalmente pela reação do mercado ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras. A percepção de menor risco e a expectativa de uma possível mudança na condução econômica aumentaram o interesse por ativos brasileiros e contribuíram para a valorização do real.

O ambiente internacional também ajudou, com sinais de menor pressão sobre o dólar e mudanças nas expectativas em relação aos juros americanos.

Para quem vai viajar, a queda pode representar uma oportunidade, mas não significa que seja possível prever a próxima cotação. Em vez de tentar acertar o ponto mínimo do mercado, vale acompanhar o câmbio, organizar o orçamento e avaliar as condições da compra de moeda de acordo com a data e as necessidades da viagem.

Afinal, no planejamento de uma viagem internacional, mais importante do que adivinhar o dólar é evitar que uma oscilação de última hora comprometa o orçamento.

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